Doze badaladas, sete amigos por perto, e uma coroação que não aconteceu.
Então acabou. O aclamado "Colegial"...
A princípio os amigos... o grupinho, a panela... e então apresentaram-me o sr. Eta Nol... claro, ainda timidamente!
Então
as primeiras festas, sair à noite, os amigos me trazendo mais amigos,
as intrigas e as pendengas que duraram ainda por tanto tempo u.u
E as brigas, e os namoros, e os beijos, que, mesmo sendo apenas beijos, naquela época pareciam o próprio ato concentrado na boca.
Primeira
grande escolha... continuar no meu porto seguro, com minha panela,
minhas festas, pendengas, e atos concentrados na boca ou mergulhar num
desconhecido, voltar ao passo inicial por algo incerto e estranho.
Larguei. Mergulhei de cabeça no escuro, e virei a "Lacrimosa, a caloura de patologia".
Levei trotes, trotes, trotes...
Fui chamada de SIRI (Ser Insignificante Raramente Inteligente) e tive que obedecer meus veteranos...
Me
encantei pelo veterano mais veterano xD, e antes de perder o título de
caloura já tinha me afastado totalmente dos poucos amigos que consegui.
Aí veio a arte de cabular aulas.
E
convenhamos... a E.T.E. Juscelino Kubitschek parece um convite a
fazê-lo. Com seus tempos vagos, seu magnífico pátio, seus cantos e
encantos, sua hierarquia não declarada que te faz querer ser sempre
mais...
E aí, inebriada com todo aquele mundo paralelo que meu semi-internato se tornou, acabei esquecendo do principal.
Um dia, alguém me perguntou o motivo de eu parecer triste.
Aí
eu percebi que aquele mundo fascinante não era o meu. E passar o resto
da vida trancada num laboratório respeitando as regras da ABNT de
Biossegurança não era meu destino.
Mergulhar de novo no desconhecido. Voltar à escola privada (privada mesmo u.u) e me arriscar em uma área quase oposta.
Segundo
anista. Mas quem liga para o segundo ano? Na escola eu era a nerd, a
guria que tinha as melhores notas da sala, mas sem vínculos fortes com
ninguém.
Quem liga para o segundo ano? Se minha vida escolar naquele ano foi a última das coisas que eu consigo me lembrar?
Quem liga para o segundo ano? Se minhas amizades mais fortes foram estabelecidas simultâneamente... fora dali!
Quem liga para o segundo ano?
Veterana, enfim! 0.0
Medo...
O que é mesmo ser veterana? Que raio de peso é esse que essa palavra
teve pra mim e que parecia não ter pra mais ninguém? Por que só eu me
importava, e me orgulhava tanto de ser uma veterana?
Tá, até hoje eu não sei.
Mas
vá... minhas notas caíram, meu interesse por ser a melhor da turma foi
dissipado, no entanto minha pacata vidinha escolar começou a ter seus
prazeres.
Aaah, minhas saudosas panelinhas, minhas intrigas e
pendengas... minhas noitadas, meu reencontro com o sr. Eta Nol, dessa
vez com uma intimidade absurda, a junção da minha panela da escola com
os amigos de fora do segundo ano.
É... acabou o aclamado
colegial. Em 26 horas loucas e insones, e com os 7 da panela que sobrou,
e com o sr. Eta Nol, e com noitada, e com pendengas dissipadas... e até com
beijo que... bom, até com beijo!
Doze badaladas para o fim do
colegial... sem coroa de rainha do baile, mas com beca e capelos para o
ar, sem dançar com o guri mais popular da escola, mas me acabar
dançando sozinha as músicas mais antigas, sem horas no salão fazendo as
unhas, maquiagem e cabelo... mas passar o dia todo jogando Imagem e
Ação com meus professores e me arrumar pra formatura em pouco mais de
uma hora...
Dever cumprido... rainha do meu baile, e o que é melhor... sem sangue de porco e sem telecinesia assassina.
Bai-bai, High School!
